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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Exercício do saber - Poesia de Antonio MORENO

O que é o saber que tanto me fascina?
Fonte da busca do conhecimento?
Lição de vida que a todos ensina?
Um aprendizado de um só momento?

O exercício do saber sempre encanta
Prazer que experimento em toda lida
Ao despertar minh’alma se levanta
Redundando tudo em mister de vida

Tanto o jovem como o velho e a criança
Buscam sempre o saber com esperança
Engajando nisso alma e coração

Inda que haja tristeza ou alegria
Cismando em espreitar-me a cada dia
Nada pode ilidir tal vocação.



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Antonio Moreno, 59 anos, é natural de Colinas/MA. Graduado em Administração e servidor do TCU desde 1975, atualmente no cargo de Auditor Federal de Controle Externo, na Semag. Escreveu inúmeros artigos sobre variados temas, a maioria restritos às listas de discussões de servidores do TCU, constituindo-se um crítico contumaz das práticas administrativas desvirtuadas. Apreciador de poesias, elegeu esse gênero como uma de suas leituras prediletas.


terça-feira, 14 de julho de 2015

O Canto do Bem-te-vi - Poema de Antonio MORENO


Está sempre a cantar
O bem-te-vi que eu vi
Sempre a cantarolar
Seu refrão a repetir

As árvores onde ele canta
Sofreram com o verão
Mesmo assim ele encanta
Cantando o mesmo refrão.

"Bem-te-vi" é o que ele canta
E o que sempre vai cantar
Mesmo assim sempre encanta
Com seu refrão a reprisar

Reprisa e nunca se cansa
Repete e não se enfada
Pois a música que nos canta
Parece um conto de fada

Até quando vai cantar?
Enquanto viver, com certeza,
Pois sua vida é um canto
Encanto da natureza.

Hoje o meu bem-te-vi
Cantou um canto diferente
E o canto que eu ouvi
Deixou-me bem mais atento

Não mudou a melodia
Nem mudou a entonação
Mas o canto que eu ouvia
Tocou o meu coração

Se a melodia não mudou
Nem mudou a entonação
Que mudança se notou?
Foi só na execução.

Cantando com galhardia
O seu canto rotineiro
Espalhou em todo o dia
Alegria por inteiro

Cantou com convicção
Com alegria maior
E na sua exibição
Parecia um curió

Foi a melodia mais bela
Que até ali entoou
Mais parecia aquarela
E o meu coração tocou.

A convicção do seu canto
Percebe-se facilmente
Quando prenuncia chuva
Ele fica impaciente.

Ele canta bem mais alto
E quase incessantemente
Quando chove há sobressalto
Cala-se suavemente

A voz do seu canto some
Sua alegria está completa
Para que outra vez só retome
Nos versos de um poeta.

Canta, bem-te-vi, não pares!
Canta, canta sem cessar!
Pois sempre que tu cantares
Vou parar pra escutar

É linda a voz do teu canto
Tua melodia faz bem
É raro, sem igual encanto
Parece um canto do além.

Quando te ouve cantar
A minha alma sorri
Para a tristeza espantar
Canta, canta bem-te-vi!


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Antonio Moreno, 59 anos, é natural de Colinas/MA. Graduado em Administração e servidor do TCU desde 1975, atualmente no cargo de Auditor Federal de Controle Externo, na Semag. Escreveu inúmeros artigos sobre variados temas, a maioria restritos às listas de discussões de servidores do TCU, constituindo-se um crítico contumaz das práticas administrativas desvirtuadas. Apreciador de poesias, elegeu esse gênero como uma de suas leituras prediletas.


terça-feira, 23 de junho de 2015

Vozes - Poema de Antônio MORENO


Ouço vozes
Barulhando à minha volta
Num sonido sem fim.
Delas não me queixo
Porque se não as ouvisse
Pobre de mim!

Vozes ouço
Que ao redor de mim
Alardeiam.
Mas são chocarrices
Que muito entristecem
E chateiam!

Ouço vozes
Que aos quatro ventos
Soam.
Disso não me lamento.
Se me forem por tormento
“Coitado!”, entoam.

Vozes ouço
Que de todos os cantos
Vêm.
Não são só barulho
Digo sem rodeio
São encantos também.

Ouço vozes
Que de contínuo sopram
E ecoam.
Também as vozes dos ventos
Que cantos, a cada instante,
Entoam.

Vozes ouço
Nem sempre minhas,
Ao que me parece.
São um primor de sonidos
Não são grunhidos
São preces.

Ouço vozes
Que nem sempre são lamentos
A emitir sons distintos
Tampouco são contentamentos
Nem algo tão virulento
Dentro da alma pressinto.

Vozes ouço
Como labirintos, que divagam
Emitindo sons confusos.
Sempre inquirindo respostas
Por entre as ondas do ocaso
Num universo difuso.

Ouço vozes
Outras vezes já ouvidas
Pressintam vocês ou não.
Vozes que, se repetidas,
Dão ao coração guarida
Ou trazem à alma aflição.

Vozes ouço
Murmúrios do canto e do pranto
Que tanto vi como ouvi.
As mesmas vozes que eu,
Além ver e ouvir,
Muitas vezes revivi.

Ouço vozes
Não são vozes d’África
Quem dera!
Também não são vozes da seca
São vozes, por vezes, da morte
Pudera!

Vozes ouço
Do bem, do mal, do porvir
Que me instigam a refletir.
Quanto mais ouço, me encanto
Mas num mundo em desencanto
Nada mais faço que ouvir.

Ouço vozes
Do canto, do riso e do pranto
Vozes sem fim.
Só as vozes que não ouço,
Sejam de alívio ou alvoroço,
Nada trazem para mim.


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Antonio Moreno, 59 anos, é natural de Colinas/MA. Graduado em Administração e servidor do TCU desde 1975, atualmente no cargo de Auditor Federal de Controle Externo, na Semag. Escreveu inúmeros artigos sobre variados temas, a maioria restritos às listas de discussões de servidores do TCU, constituindo-se um crítico contumaz das práticas administrativas desvirtuadas. Apreciador de poesias, elegeu esse gênero como uma de suas leituras prediletas. 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Dia de João - Conto de Antônio MORENO

Alguma coisa naquela quarta-feira não ia bem para o João, mas teimosia não lhe faltava para enfrentar adversidades.
Tudo fazia crer que havia um claro propósito para estragar o seu bom-humor.
Estava difícil. Até disseram que o João tinha se levantado com o pé esquerdo.
Nada normal para quem pulava cedo da cama, como a querer aproveitar ao máximo o seu dia.
Dinâmico, pelo tanto que tinha a fazer, sempre achava que o dia deveria ter mais de 24 horas.
Era daquelas pessoas que lamentavam até as horas dormidas, por considerá-las quase um desperdício da noite.
Não era um homem dorminhoco e se três horas por noite, apenas, pudesse dormir, bastar-lhe-iam.
Assim começa essa estória, aparentemente repleta de ansiedade.
Desde cedo, por vocação herdada do pai, aprendera e conviver com trabalho árduo, sem trégua ou descanso.
Nada o parava: nem o sol ardente, nem a chuva calma ou tempestuosa que habitualmente caía na devida estação.
E como autêntico interiorano - tanto prevenido quanto prudente, ora envolvido ora arredio, sempre a urdir feitos e fatos, atento a tudo e a todos - jamais se descuidava das tarefas que empreendia: diária, pontual, assídua e diligentemente.
Desde tocar as poucas reses e as poucas alimárias que tinha, fazia de tudo o que possuía e que estava à sua volta sua constante ocupação.
Alegre, sua característica habitual, ou irritado, nunca perdia oportunidade de cultivar o bom humor.
Matuto sim, mas sempre alegre.
Daquele pedaço de terra adjacente ao pequeno povoado tirava o seu sustento: plantando, criando, colhendo e vendendo.
Habilidoso na arte de consertar engenhocas, também as fabricava para uso no seu labor diário.
Trabalhar, para ele, era uma terapia e o labor diário a que se propunha rendia-lhe enorme prazer.
João era um homem comum, brasileiro do interior, ciente e consciente do seu dever e da sua importância para as pessoas e para a vida.
Ou João sou eu ou você ou todos nós, na singularidade das ações que identificam os homens, no afã da lida ou faina que abraçam?
Tão bem se sentia que poderia dizer-se feliz.
Enfim, findou-se o dia do João, como findavam todos os seus dias.

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Antonio Moreno, 59 anos, é natural de Colinas/MA. Graduado em Administração e servidor do TCU desde 1975, atualmente no cargo de Auditor Federal de Controle Externo, na Semag. Escreveu inúmeros artigos sobre variados temas, a maioria restritos às listas de discussões de servidores do TCU, constituindo-se um crítico contumaz das práticas administrativas desvirtuadas. Apreciador de poesias, elegeu esse gênero como uma de suas leituras prediletas. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Grandeza da Arte (homenagem ao blog) - Poesia de Antonio MORENO

Grandeza da Arte

É difícil dizer algo que nunca foi dito.
Mas quando algo novo se diz isso representa uma arte.
Também é difícil fazer algo que ainda não existe.
Porém, quando algo novo se diz e algo novo se faz, nisso se constata e se traduz a arte.
Só há arte quando há novidade no pensar e no realizar.
Arte é o que transforma, o que recria, o que renova.
A arte é grandiosa e muito abrangente, mas pode ser sintetizada num simples objeto, numa singela frase, num poema, num único pensamento.
A arte é tudo o que é capaz de inovar e renovar.
Mas, em que consiste a arte?
A arte consiste em toda a criação: material e imaterial.
A arte consiste na síntese da grandeza do ser...do ser criador da própria arte.
Afinal, a arte é tudo, posto que tudo é uma arte.


Parabéns ao blog TCU ARTE pelo seu primeiro aninho de existência e pelo empenho de seus idealizadores.



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Antonio Moreno, 59 anos, é natural de Colinas/MA. Graduado em Administração e servidor do TCU desde 1975, atualmente no cargo de Auditor Federal de Controle Externo, na Semag. Escreveu inúmeros artigos sobre variados temas, a maioria restritos às listas de discussões de servidores do TCU, constituindo-se um crítico contumaz das práticas administrativas desvirtuadas. Apreciador de poesias, elegeu esse gênero como uma de suas leituras prediletas. 

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